Mercado de pescado ainda enfrenta desafios para popularizar consumo no Brasil

 

Imagem: Site oficial / Helcio Nagamine/Fiesp

 

Governo Federal anuncia a oferta de R$1 milhão para financiar ações de incentivo ao consumo de peixes no país. A iniciativa será promovida por meio de um concurso que selecionará os melhores projetos e foi anunciada por Dayvson Franklin, secretário especial de Agricultura e Pesca (SEAP), vinculada à Secretaria Geral da Presidência da República, durante o seminário “Mesa dos Brasileiros: a Semana do Peixe”, promovido pelo Departamento do Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A Vigna Brasil esteve presente no evento, que aconteceu no último dia 21/09, em São Paulo, e reuniu autoridades, empresas e especialistas do setor. A iniciativa fez parte da programação paralela da “Semana do Peixe – 2018”, evento organizado anualmente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com o objetivo de incentivar o consumo de pescado no país.

O encontro promovido pela Fiesp usou como base dados do estudo “A Mesa dos Brasileiros”, apresentado no primeiro semestre pela federação, e que revelou as mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros nos últimos anos. As discussões foram divididas em 3 painéis: Transformações, Confirmações e Contradições.

No primeiro bloco foram discutidos os aspectos da cadeia de pescados frente às principais mudanças dos hábitos de consumo ocorridas nos últimos 7 anos, a partir das transformações econômicas do país. A discussão foi liderada por Robinson Shiba, fundador das redes China in Box e Gendai; Ricardo Torres, Editor-Chefe da Revista Seafood Brasil; Renato Dolci, especialista em data science e Antonio Carlos P. Costa, gerente do Deagro.

Para Robinson Shiba o consumidor busca por uma boa relação custo x benefício, pois quer ter a percepção de que seu dinheiro foi bem aplicado. A pesquisa “A Mesa dos Brasileiros” revelou que a internet se tornou o principal meio de informação sobre alimentação e para Shiba ela é uma grande aliada. O fundador das redes China in Box e Gendai contou que as redes passaram a usar plataformas digitais, como os aplicativos de entrega de comida, entre outros, e que esta estratégia aliada a produtos customizados e entrega em domicílio tem funcionado para aumentar as vendas.

O poder das marcas na decisão de compra e as oportunidades para a cadeia de pescados foram os principais temas debatidos durante o segundo painel, que contou com a presença de Roberto Kikuo Imai, Diretor Titular Adjunto do Deagro; Prof. Dr. José Luiz Tejon Megido, Jornalista e publicitário; e Rafael Monezi Guinutzman, Gerente Comercial de Aves, Suínos e Pescados do Grupo Pão de Açúcar. O destaque ficou para a dificuldade de trabalhar a marca em peixe, que é considerado uma commodity. Levando em consideração a importância que vem ganhando a questão de sustentabilidade, foi colocado à mesa que este diferencial pode ajudar na criação de uma brand para esta categoria, onde apenas os enlatados conseguiram consolidar marcas. Guinutzman afirmou que é importante agregar valor ao produto. Pescado congelado e bacalhau dessalgado são exemplos com vendas representativas nas lojas do Grupo Pão de Açúcar, segundo ele, embora o consumidor ainda valorize muito o frescor do produto e o atendimento, a relação de confiança com o atendente e o estabelecimento.

Segundo o estudo, a comida favorita do brasileiro continua sendo o arroz e feijão, disparado com 30% da preferência entre os consumidores, mas o peixe está no grupo dos prediletos e ocupa uma posição melhor do que pizza, por exemplo. Na opinião da mesa, para fomentar a cadeia dos pescados o governo tem que trabalhar mais como auditor do que como fiscal, alinhando seus controles aos sistemas americano e australiano.

Já o terceiro e último painel, que debateu as Contradições dos consumidores em relação a alimentação e saúde, foi comandado por Meg Felippe, Consultora e Especialista na área de pescados; Daniel Magnoni, Médico cardiologista e Nutrólogo; Renata Fonseca de Macedo, Psicóloga do Sesi/SP; e Érica Mariana Silva Melo, Nutricionista do Sesi/SP.

Embora 8 em cada 10 brasileiros diz se esforçar para comer de maneira mais saudável, 60% prefere o alimento mais gostoso em comparação ao mais saudável. O brasileiro também se preocupa com a forma física, mas não pratica atividade física regular. Percebe-se uma dissonância entre o querer e o fazer, segundo Macedo. O peixe está associado com o conceito de saudabilidade, porém, é preciso se atentar que um prato a base de peixe pode deixar de ser saudável a depender dos ingredientes adicionados e da forma de preparo, ressaltou Daniel Magnoni.

Outro ponto que esteve em destaque durante todo o evento foi o tamanho do impacto e da influência das mídias sociais na formação da opinião do consumidor. O mercado de alimentação é o que mais sofre com fake news e, por isso, o médico defendeu que a indústria do peixe, à exemplo do que fez a da carne suína, deve investir em ações institucionais e na produção e promoção de informação científica pois, se quem detém este conhecimento não educar, a população seguirá cada vez mais guiada pelos influenciadores digitais. Meg Felippe encerrou o bloco lembrando que a cadeia do peixe ainda hoje paga por erros cometidos no passado referente à parte sanitária.

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