Ministério do Meio Ambiente traça estratégia para minimizar impacto de espécies invasoras no Brasil

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) definiu um plano até 2030 para controlar espécies invasoras, no país. A “Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras”, documento que foi atualizado e lançado em agosto, tem como objetivo traçar estratégias para controlar, evitar a introdução e dispersão, reduzindo o impacto dessas espécies na nossa biodiversidade.

O termo “Espécies exóticas invasoras” foi definido pela Convenção da Diversidade Biológica (CDB) e se refere a plantas, animais ou microrganismos que se proliferam sem controle fora de seu habitat, trazendo riscos ao equilíbrio ecológico, agricultura, saúde humana e animal, e à economia. Estima-se que essa seja a maior causa da extinção de espécies nativas pelo mundo.

Existem milhares de espécies invasoras no Brasil, mas nem todas causam prejuízos. Por isso, o MMA definiu cinco delas como as principais ameaças ao equilíbrio da natureza do país:

  • Coral-sol: originário do Indo-Pacífico, chegou ao Brasil nos anos 1980, em uma embarcação petrolífera. Com reprodução rápida e grande potencial destrutivo, prejudica o desenvolvimento das espécies nativas de corais por não possuir predadores naturais no país. Atualmente está presente nas zonas costeiras do Ceará, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

  • Javali: mamífero de origem europeia, foi trazido ao país para a produção de carne e acabou solto na natureza por criadores, onde se reproduziu rapidamente. Atualmente prejudica atividades agrícolas, agropecuárias, interfere na flora e fauna nativa, além de desencadear processos de erosão e assoreamento de corpos d’água. Presente no Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, e oeste da Bahia.

  • Mexilhão Dourado: molusco de origem asiática, desembarcou por aqui na década de 1990, via água de lastro dos navios. Durante a fase larval é levado livremente pela água ou por vetores, até se alojar em superfícies sólidas onde forma colônias. Como já abordarmos aqui no blog da Vigna Brasil, se expandiu rápido pelas bacias hidrográficas brasileiras causando desequilíbrio ambiental, prejudicando atividades pesqueiras e comprometendo a circulação de água em hidrelétricas. Encontrado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

  • Sagui: animal silvestre brasileiro originário do Nordeste e Centro-Oeste, está causando desequilíbrio ambiental no Sul e Sudeste, principalmente no Rio de Janeiro. Cobiçados no mercado ilegal de animais silvestres nos anos 1970 e 1980, o crescimento da sua população na natureza passou a ameaçar a sobrevivência de outras espécies nativas.

  • Caramujo Gigante Africano: uma das principais pragas do país, presente em 23 dos 26 estados, chegou como uma opção para a criação de escargot e tornou-se um vetor de diversas doenças, como, por exemplo, a meningite, além causar prejuízos à agricultura, pois apesar de ser herbívoro, come praticamente de tudo. Um exemplar pode colocar em média 200 ovos por postura e se reproduzir mais de uma vez por ano.

A “Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras” tem prazo de vigência de 12 anos e será coordenada pelo MMA, por meio da Secretaria de Biodiversidade, e suas entidades vinculadas, com colaboração de outras instituições federais e estaduais, organizações da sociedade civil e instituições de ensino e pesquisa. Além da estratégia geral, o governo federal está traçando ações específicas para as espécies invasoras priorizadas. Os planos sobre o coral-sol, o javali e o mexilhão dourado já foram concluídos, enquanto os do sagui e do caramujo-gigante-africano serão elaborados nos próximos dois anos.

<< VOLTAR
Vigna Regulatory

Av. Ipiranga, 318 - Bloco A - Cj. 1601
República - São Paulo, SP
CEP 01046-010 - Brasil

+55 11 3124.4455
+55 11 3259.6399