Mudanças de comportamento, valores e prioridades devem guiar tendências de consumo e os negócios em 2019

Relatório recém-divulgado “Top 10 Global Consumer Trends 2019” revela as 10 principais tendências para consumo neste ano. O levantamento foi feito pela Euromonitor International e mostra como a mudança de comportamento, valores e prioridades dos consumidores devem mudar os negócios globalmente. Segundo a Diretora de Estilos de Vida da empresa, Gina Westbrook, a “Inteligência” é o principal fator em comum entre as tendências.

Uma maior busca por produtos mais autênticos, simples, básicos, com melhor qualidade e que ajudam na expressão da individualidade do consumidor é uma das tendências. Mais perceptível em economias desenvolvidas, a “Back to Basics for Status” também deve surgir em mercados emergentes conforme eles se fortalecem. O conceito resume a procura e a valorização de produtos artesanais, locais e caseiros, principalmente alimentos, bebidas e produtos de beleza. Segundo o relatório Euromonitor International Beauty Survey, de 2018, a preocupação com a composição mais simples de produtos de beleza cresceu. Cerca de 29% dos consumidores procuram ingredientes totalmente naturais em produtos de cuidados com a pele, enquanto a transparência de ingredientes é buscada por 19% deles; além disso, cerca de metade das pessoas afirmam usar produtos de beleza DIY (Do It Yourself) pelo menos uma vez por mês, refletindo o desejo de retomar o controle sobre o que consomem.

O mercado está sendo forçado a inovar constantemente para se manter relevante à uma população cada vez mais informada. O conceito de que todo mundo é um especialista (Everyone’s an Expert) torna-se gradativamente mais palpável à medida que as mídias sociais dão um novo significado ao “boca a boca”, compartilhando dicas de produtos, descontos, ofertas, etc. Com o uso da internet e aplicativos a população está se tornando cada vez mais auto-suficiente, tomando certas decisões sem que precise consultar nenhum profissional especializado. O termo “I Can Look After Myself” mostra que as pessoas estão mais versáteis, com mais possibilidades. A ideia de autossuficiência atrai os consumidores e a busca por sustentabilidade cria o conceito de que o consumismo ético e a compra sustentável também são uma forma de autocuidado, que se interliga à outra tendência: a do consumo consciente (“Conscious Consumers”).

Consumo mais Consciente

A preocupação ambiental deve permanecer em alta, e o conceito já passou a ser adotado por empresas convencionais e não mais apenas por aquelas que atendem à nichos de mercado. A perspectiva é que o bem-estar animal também ganhe maior destaque, e continue a evoluir para outros setores além da alimentação, como o da beleza, moda e cuidados com a casa, por exemplo. A preocupação com o bem-estar animal ganhou força, principalmente em economias desenvolvidas que presenciam um aumento do veganismo (popularizado pelas mídias sociais). Entretanto, nos mercados emergentes a carne ainda é relacionada a uma boa nutrição e um sinal de prosperidade. Mas, mesmo nessas regiões, os consumidores jovens, urbanos, de alta e média renda também são defensores do Consumo Consciente, pois se opõem aos testes em animais para cosméticos e produtos farmacêuticos, bem como ao uso de antibióticos na criação de animais e fazendas industriais.

O aumento da abordagem de consumo tem visto, consequentemente, uma crescente demanda por ingredientes derivados de plantas, enquanto os derivados de animais, como colágeno e lanolina, estão perdendo popularidade, forçando empresas a melhorarem os padrões de bem-estar animal mesmo para produtos comuns. Relacionado a isso também está o impulso por uma sociedade livre de resíduos plásticos (I Want a Plastic-free World) que ganhou força em 2018, e deve permanecer e crescer ao longo deste ano. Os consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos ecológicos e recicláveis, e estão cada vez mais sensíveis às questões de resíduos plásticos, o que acaba afetando seus hábitos de compra. A proporção de pessoas dispostas a pagar mais por alimentos embalados e alimentos frescos que são ambientalmente conscientes ou ecológicos cresceu nos últimos dois anos. O aumento da compreensão do consumidor também ajudará a policiar os chamados “greenwashing“, ajudando a expor falsas alegações ecológicas.

A tecnologia também tem desempenhado um grande papel nos padrões de consumo globalmente, permitindo mais conforto, acesso a novas experiências e o desenvolvimento de novas formas de engajamento em grupo (Digitally Together). Contudo, o maior acesso à conexão também tem fomentado a necessidade de estar offline por alguns períodos como forma de reduzir o estresse, tornando as pessoas mais seletivas com suas atividades em busca de experiências mais reais, é o chamado “Finding My JOMO”, sigla que significa “Joy of Missing Out”. Por outro lado, nos tornamos mais imediatistas (“I Want it Now!”) e o estilo de vida tornou-se orientado pela eficiência e gratificação imediata, criando uma categoria de consumidores dispostos a gastar dinheiro com produtos ou serviço que economizam tempo, principalmente em grandes metrópoles.

Mudanças de Comportamento

Os comportamentos humanos estão se moldando aos novos tempos e o número de pessoas que vivem sozinhas (Loner Living”) aumenta substancialmente, de forma que deve superar o de todos os outros agrupamentos familiares ao longo dos anos. Essa tendência é impulsionada pelas altas taxas de divórcios das últimas décadas e pelo número crescente de indivíduos que está decidindo não se casar.. Atualmente, consumidores que vivem sozinhos são na maioria idosos e costumam preferir produtos com “conveniência” e “acessibilidade”, simples e funcionais.

Esses dados nos levam a outra tendência importante a “Age Agnosticis”, que mostra atualmente uma nova geração de consumidores mais maduros (nascidos entre 1946 e 1964) mas que mantêm a mentalidade jovem e não se veem como velhos. Esse grupo diversificado quer consumir o mesmo que os mais jovens, criando a necessidade de produtos e serviços que sejam universalmente acessíveis reforçando a necessidade das empresas de se adaptarem aos novos tempos e novos hábitos de consumo.

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